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A RESSONÂNCIA MAGNÉTICA E AS FRACTURAS DE STRESS

08/07/2014 - 15:26
A RESSONÂNCIA MAGNÉTICA E AS FRACTURAS DE STRESS
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AUTOR: João Veiga Gomes, Médico Radiologista

 

As fracturas de stress são frequentes, podem afectar qualquer grupo etário e, se não forem diagnosticadas e tratadas, são susceptíveis de complicações.

São soluções de continuidade do osso, em geral pequenas. Distinguem-se duas formas:
• fracturas de fadiga, que ocorrem num osso estruturalmente sem alterações sujeito a esforço anormal. Exemplos típicos são as que afectam recrutas ou atletas;
• fracturas de insuficiência, vistas em osso estruturalmente alterado sujeito a esforço normal. Podem ser encontradas, por exemplo, em pessoas com osteoporose.

Os doentes queixam-se de dor localizada que piora com o esforço e melhora com o repouso. Pode associar-se a aumento de volume local.

Ocorrem com mais frequência nos ossos dos membros inferiores.

Perante suspeita clínica de fractura de stress, o Médico Assistente pede, em geral, de início, uma radiografia. É um método acessível e barato mas pode não mostrar nada de anormal na fase inicial da doença. Por vezes só semanas ou mesmo um mês depois de se iniciarem as queixas, quando o osso começa o seu processo natural de recuperação, é que a radiografia mostra alterações. Logo, o Clínico não deve afastar a hipótese de diagnóstico perante uma radiografia normal feita pouco tempo após o início dos sintomas.

Nesses casos, não se deve avançar para a Tomografia Computorizada (TC ou, mais vulgarmente, TAC), porque este método tem também baixa sensibilidade para o diagnóstico destas fracturas.

Os exames a pedir são a cintigrafia óssea ou a Ressonância Magnética (RM). A Ressonância Magnética não pode ser realizada em pacientes portadores de pacemaker não compatível, com implantes cocleares ou, genericamente, que tenham no corpo material metálico que seja atraído pelo campo magnético gerado. Para evitar acidentes, um inquérito deve ser realizado por escrito e assinado pelo paciente antes de entrar na sala de exame.

A cintigrafia óssea detecta fracturas de stress em fase precoce mas exige injecção de contraste na veia e a especificidade não é muito elevada, uma vez que outros problemas ósseos podem dar imagens semelhantes. Pode dar falsos negativos em doentes osteoporóticos.

A Ressonância Magnética tem sensibilidade idêntica à da cintigrafia (cerca de 100%) no diagnóstico precoce mas apresenta maior especificidade (85%). Dá melhor detalhe anatómico, permite o estudo dos tecidos moles que envolvem o osso, não exige injecção de contraste e não usa radiação ionizante. Útil em todas as localizações anatómicas, é-o especialmente no colo do fémur, punho e sacro.

Concluindo, em todos os pacientes com suspeita clínica de fractura de stress com radiografia normal e sem contra-indicações que a impeçam, a Ressonância Magnética é um meio extremamente útil para confirmar o diagnóstico, permitindo o início de terapêutica adequada ao quadro clínico e, assim, evitando complicações, eventualmente graves.

 

NOTA: artigo escrito de acordo com a antiga ortografia.

Caso clínico: doente do sexo feminino, com suspeita de fractura de stress

2_ressonancia-magnetica

Ressonância Magnética – fractura do segundo metatársico e edema das partes moles envolventes.

 

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Ressonância Magnética – fractura do segundo metatársico e edema das partes moles envolventes.

 

 

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